No nevoeiro



Ele sentia todo aquele medo apanhar-lhe pela espinha. Sentia uma onda de ódio. Os calafrios ficavam cada vez piores. Parecia que não podia respirar. Que sentia algo que estivesse debaixo de uma neblina. Numa forma de ódio. Escondido por detrás de uma fábrica, ele assistia o caminhar de vários vultos, como de crianças se tratassem, não sentia nada, para além de má recepção e algum prejuízo. Uma certa onda de prazer, que inundava-os a todos, ele escondia-se, sabia que era os fantasmas, dos trabalhadores que decidiram continuar a cumprir o seu contrato, pois assinaram, sem saber, que trabalhariam para além da morte, a fábrica não produzia mais nada, por isso estes vultos eram restos de restos. Ele ficava perturbado, era um ex-trabalhador, escapara, mas voltava sempre, porque não conhecia outra realidade, não sabia gerir a sua própria vida, do momento que cortou os fios de fantoche. Pode finalmente encontrar a liberdade, de ver os outros a serem escravos...

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